VENDA DE PASSAGENS RODOVIÁRIAS ONLINE CRESCE 15,7% NO AMAZONAS, APONTA LEVANTAMENTO

O Amazonas registrou crescimento de 15,7% na venda de passagens rodoviárias online, segundo levantamento realizado pela ClickBus, maior plataforma de venda de passagens rodoviárias do país, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O dado reforça a importância do transporte rodoviário de passageiros como principal meio de conexão entre cidades no Brasil e evidencia o avanço da digitalização no setor.

As principais rotas estaduais são Manaus X Boa Vista (RR), Manaus X Itacoatiara e Manaus X Porto Velho (RO), segundo a pesquisa comparativo do ano passado com 2024.

A pesquisa também marca nesta quinta-feira (14), o lançamento do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), um indicador inédito criado para acompanhar, de forma estruturada e recorrente, a evolução dos preços das passagens rodoviárias no país. A iniciativa busca ampliar a transparência sobre o custo das viagens e contribuir para o debate sobre mobilidade, consumo e inflação no Brasil.

Desenvolvido com base em uma ampla base de dados transacionais da plataforma, o IRCB acompanha a variação média dos preços das passagens ao longo do tempo, considerando diferentes tipos de viagens, distâncias, categorias de serviço e regiões do país. A metodologia aplicada permite uma leitura mais precisa sobre o comportamento do mercado rodoviário, superando comparações pontuais de preços.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e agências estaduais, o Brasil transportou cerca de 160 milhões de passageiros no modal rodoviário apenas em 2025, consolidando o ônibus como peça fundamental no acesso da população ao trabalho, educação, saúde e turismo.

Para o CEO da ClickBus, Phillip Klien, o novo índice corrige uma importante lacuna no setor. “O ônibus move o Brasil, 160 milhões de passageiros por ano, mais do que o avião, mas era o único grande modal de transporte do país sem um índice de preços confiável. O IRCB nasce para corrigir essa assimetria de informação”, afirmou.

Desenvolvimento
A Fipe foi responsável pelo desenvolvimento metodológico do índice, que utiliza dados de transações individuais de passagens vendidas em todo o território nacional e incorpora também informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE), garantindo maior representatividade nacional.

Segundo Bruno Oliva, presidente da Fipe, o novo indicador combina uma base ampla e rigor técnico. “O IRCB permite análises consistentes sobre o comportamento dos preços no transporte rodoviário de passageiros”, destacou.

Outro diferencial do estudo está na segurança e no tratamento dos dados. Cerca de 62 terabytes de informações foram analisados com total respeito à confidencialidade e sem qualquer identificação individual dos usuários, segundo a empresa.

Os resultados apontam ainda que as passagens rodoviárias tiveram aumento menor em comparação a outros setores de mobilidade. No acumulado anual, o índice das passagens de ônibus subiu 7,5%, bem abaixo da alta registrada no diesel (15,7%) e nas passagens aéreas (23,2%). Em comparação com a inflação oficial medida pelo IPCA/IBGE, que foi de 4,4%, o setor rodoviário demonstrou maior capacidade de absorver custos sem repassá-los integralmente ao consumidor.

No acumulado do ano, entre janeiro e abril de 2026, as passagens rodoviárias apresentaram alta de 5,9%, mesmo percentual observado no ano móvel, de maio de 2025 até abril de 2026, reforçando uma trajetória moderada e consistente do modal rodoviário em relação ao transporte aéreo.

Recorte Regional
A análise detalhada do IRCB também revela diferenças importantes entre regiões e segmentos do setor. No recorte regional, o Centro-Oeste registrou a maior alta nos últimos 12 meses, com avanço de 8,2%, enquanto a região Sul apresentou a menor variação, com 2,8%, refletindo diferenças de oferta, demanda e regulação.

Por classe de serviço, a categoria Convencional liderou a variação anual, com alta de 6,5%, enquanto a classe Cama teve o menor aumento, de 4,9%, indicando comportamentos distintos de demanda e perfil de passageiro.

Já no critério de distância, as viagens curtas, de até 100 quilômetros, apresentaram aumento de 8,5%, enquanto os trajetos de longa distância, acima de 400 quilômetros, avançaram 5,2%, sugerindo maior ajuste de preços nas rotas mais frequentes e de uso recorrente.
Entre as modalidades, o transporte intermunicipal teve alta de 5,8%, enquanto o interestadual registrou avanço de 6,1%, ambos com variações próximas, embora sujeitos a regras regulatórias diferentes.

Série Histórica
A série histórica do IRCB, disponível desde dezembro de 2017, também ajuda a compreender a evolução dos preços no longo prazo. O período contempla impactos importantes como a pandemia da Covid-19, a forte alta dos combustíveis e mudanças no marco regulatório do transporte interestadual.

Desde dezembro de 2017 até abril de 2026, o preço das passagens rodoviárias acumulou alta de 60,5%. No mesmo intervalo, a renda média do trabalho, segundo a PNAD Contínua do IBGE, cresceu 77,6%, indicando melhora no poder de compra dos brasileiros em relação ao acesso ao transporte rodoviário.

Outro dado relevante mostra a resiliência do setor diante da pressão dos combustíveis. O diesel, principal insumo operacional do transporte rodoviário, acumulou alta de 119,4% no mesmo período, praticamente o dobro da variação das passagens. Isso demonstra que o setor absorveu boa parte do aumento de custos sem repassá-lo integralmente ao passageiro.

 

 

 

Fonte: A Crítica

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