FUMAÇA IMPEDE DECOLAGEM DE AVIÕES ENVIADOS PARA COMBATER INCÊNDIOS NO AMAZONAS

A densa fumaça produzida pelas queimadas no Amazonas passou a dificultar o próprio combate aos incêndios. Seis aviões mobilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) permanecem temporariamente parados no Aeroporto de Ponta Pelada, na zona Sul de Manaus, nesta quarta-feira (14).

Segundo o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo Filho, a baixa visibilidade impediu a decolagem das aeronaves durante a manhã. Até as atualizações divulgadas à tarde, não havia horário confirmado para a retomada das operações.

Fumaça impede operações aéreas
Os aviões foram enviados para reforçar o combate aos incêndios que atingem diferentes regiões do Amazonas. No entanto, a camada de fumaça sobre Manaus e municípios próximos deixou as condições de voo abaixo dos parâmetros considerados seguros pelas tripulações.

O problema afeta principalmente as operações de lançamento de água. Para realizar a descarga com precisão, os pilotos precisam localizar visualmente o foco do incêndio, observar o relevo, identificar possíveis obstáculos e manter coordenação com as equipes que trabalham em solo.

A falta de visibilidade também dificulta a definição da rota de aproximação e do momento adequado para liberar a água. Por esse motivo, as aeronaves somente poderão retomar as missões quando houver condições operacionais seguras.

Voos de monitoramento são avaliados
Como alternativa, as equipes analisam a possibilidade de realizar voos em menor altitude para monitorar as áreas atingidas e, caso as condições permitam, executar lançamentos pontuais de água.

A estratégia, entretanto, ainda depende da avaliação dos pilotos e da melhora da visibilidade. Até o momento, o Ibama não confirmou quando os aviões poderão voltar a operar.

A paralisação é temporária e não representa o encerramento das operações. As condições atmosféricas são avaliadas continuamente para que as decolagens sejam autorizadas assim que houver segurança.

Aeronaves integram força-tarefa federal
Os seis aviões afetados pela fumaça fazem parte da estrutura mobilizada pelo governo federal para combater os incêndios florestais no Amazonas.

Em atualização divulgada nesta quarta-feira, o Ministério do Meio Ambiente informou que a operação federal conta com 330 brigadistas, 32 veículos, sete aviões destinados ao lançamento de água, dois aviões de transporte, três helicópteros e oito embarcações.

Entre as aeronaves mobilizadas estão seis aviões Air Tractor, empregados no combate direto ao fogo. O reforço inclui ainda helicópteros, aeronaves de apoio logístico e cargueiros KC-390, utilizados para lançar grandes volumes de água.

Quatro dos Air Tractor foram destinados às operações em Autazes e no entorno de Manaus, enquanto dois atuam na região de Itacoatiara. A baixa visibilidade provocada pela fumaça já havia impedido parte das decolagens no início da semana.

Combate continua em solo
Enquanto os aviões aguardam condições adequadas, brigadistas do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de outras instituições permanecem em campo.

As equipes terrestres atuam na abertura de aceiros, contenção das linhas de fogo, rescaldo e monitoramento de áreas que apresentam risco de reignição. Veículos, helicópteros e embarcações também fazem parte da estrutura mobilizada para alcançar regiões de difícil acesso.

A fumaça pode reduzir temporariamente a capacidade de resposta aérea, mas não interrompe toda a operação. O planejamento é ajustado conforme a localização dos focos, a direção dos ventos e as condições de visibilidade.

Amazonas enfrenta avanço das queimadas
O estado acumulou 7.865 focos de calor entre janeiro e 13 de outubro, contra 3.639 no mesmo período de 2025, aumento aproximado de 116%. Somente no dia 13, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 50 focos no Amazonas.

A redução diária das detecções não significa necessariamente que os incêndios tenham sido extintos, porque nuvens, fumaça, horários de passagem dos satélites e outras condições podem interferir no monitoramento.

Além de dificultar o combate aéreo, a fumaça afeta a qualidade do ar, reduz a visibilidade e aumenta os riscos para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

Fonte: AM POST

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