CASO BENÍCIO: MP ATENDE DEFESA DE MÉDICA E PROÍBE DELEGADO DE DAR ENTREVISTAS

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) determinou, nesta sexta-feira (27), que o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), se abstenha de divulgar informações parciais ou conceder entrevistas sobre o inquérito que apura a morte do menino Benício Xavier. A decisão impõe um prazo de 45 dias para a conclusão das investigações e adverte que o descumprimento da ordem pode resultar no afastamento do delegado da condução do caso.

A medida ocorre após a defesa da médica Juliana Brasil Santos, conduzida pelo advogado Sérgio Figueiredo, protocolar uma petição alegando vazamento de dados sigilosos e manipulação da opinião pública. Segundo os advogados, declarações do delegado sobre supostas adulterações em sistemas hospitalares foram feitas sem perícia técnica oficial, criando uma narrativa que prejudicaria o processo legal.

Na última segunda-feira (23), novos desdobramentos do Caso Benício apontam para uma suposta fraude processual envolvendo a médica Juliana Brasil. De acordo com o delegado Marcelo Martins, responsável pelas investigações, mensagens extraídas do celular da profissional indicam que ela teria adquirido um vídeo adulterado para apresentar à Justiça.

Segundo o delegado, o material foi utilizado em um pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça, com o objetivo de induzir a decisão judicial ao erro. As conversas encontradas no aparelho mostram, segundo a polícia, que a própria médica articulou a produção do conteúdo.

As investigações apontam que Juliana Brasil teria contado com o apoio de outra médica, que sugeriu o pagamento a um profissional de saúde de um hospital diferente para criar o vídeo manipulado. O material indicaria, falsamente, que a administração incorreta da adrenalina teria sido causada por falha no sistema hospitalar.

No entanto, laudos periciais já realizados descartaram qualquer problema técnico. Conforme o delegado, equipes estiveram diversas vezes na unidade hospitalar e constataram que o sistema funcionava normalmente, sem falhas.

A última etapa de depoimentos foi concluída nesta segunda-feira (23), exatamente quatro meses após a morte do menino Benício, que morreu após receber uma injeção de adrenalina na veia. Entre os ouvidos está Giovana Brasil, irmã da médica, que teria participado das tratativas para a alteração do vídeo. Ela compareceu acompanhada de advogado, mas optou por permanecer em silêncio.

 

Leia também

Leave a Comment