Uma investigação conduzida pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e divulgada nesta sexta-feira (20/03) trouxe um alerta preocupante para as populações ribeirinhas da região norte. A pesquisa identificou a presença de metais tóxicos, como mercúrio e arsénio, em todas as espécies de peixes analisadas nos municípios de Faro, Juruti, Santarém, Porto Trombetas e Itaituba. O estudo destaca que os níveis de mercúrio em algumas amostras superam em quase 30 vezes o limite de tolerância estabelecido pelas autoridades de saúde.
A análise concentrou-se em espécies que formam a base da dieta local, incluindo tucunaré, pirarucu e acari. Os resultados indicam que 25% das amostras apresentam um risco elevado para o desenvolvimento de doenças graves, como o cancro, devido à ingestão prolongada de cádmio e arsénio. Os cientistas associam a origem desta contaminação a um conjunto de pressões ambientais na bacia amazónica, com especial destaque para o garimpo ilegal de ouro, a exploração mineira de bauxite e o avanço descontrolado da desflorestação.
Além dos riscos oncológicos, a presença de mercúrio no sistema hídrico pode causar danos severos ao sistema nervoso central, afetando o desenvolvimento infantil e provocando problemas renais e respiratórios. O relatório também aponta uma correlação estatística que merece investigação profunda entre os locais com maior índice de contaminantes e o aumento de casos de cancro de pele registados pela Secretaria de Saúde do Pará. As autoridades académicas reforçam a necessidade urgente de políticas públicas que combatam as atividades ilegais na floresta para proteger a saúde das comunidades locais.