SATÉLITE DA NASA REVELA TSUNAMI GIGANTE COM COMPORTAMENTO INESPERADO

Quando um dos maiores terremotos em décadas sacudiu o fundo do Oceano Pacífico no fim de julho de 2025, ele não apenas desencadeou um tsunami gigantesco — também ofereceu aos cientistas uma oportunidade rara de observar o fenômeno natural de forma inédita. A análise de pesquisa foi publicada em novembro de 2025 na revista científica Geo Science World.

Um satélite especialmente projetado para medir a topografia da água capturou imagens detalhadas da onda enquanto ela se propagava, revelando comportamentos até então pouco compreendidos pela comunidade científica.

O evento que desencadeou tudo aconteceu em 29 de julho de 2025, quando um terremoto de magnitude 8,8 atingiu a zona de subducção das ilhas Kuril-Kamchatka, na costa russa do Pacífico — uma região conhecida por gerar tremores e tsunamis poderosos.

Esse tremor foi um dos maiores já registrados desde 1900, e o tsunami que se espalhou pelo oceano ofereceu um cenário perfeito para teste de novas tecnologias de observação.

O protagonista dessa história é o satélite SWOT (Surface Water and Ocean Topography), uma missão conjunta da Nasa e da agência espacial francesa CNES (Centre National d’Études Spatiales) lançada em dezembro de 2022 e projetada para mapear as alturas das águas oceânicas, fluviais e lacustres com alta precisão.

O SWOT não foi criado com foco em tsunamis, mas seus instrumentos — capazes de medir a superfície da água em faixas de até cerca de 120 km de largura — permitiram algo que antes não era possível: observar o tsunami não apenas como uma linha estreita, como os satélites altimétricos tradicionais, mas em uma faixa contínua e detalhada no meio do oceano.

A observação captura cerca de 70 minutos após o terremoto e mostra a evolução da onda enquanto ela se propagava pelo Pacífico. Mas a surpresa real veio quando os pesquisadores analisaram os dados.

Comportamento inesperado das ondas
Até então, modelos tradicionais — baseados em equações de águas rasas — consideravam que grandes tsunamis se comportavam como ondas não dispersivas, ou seja, como um bloco relativamente coeso que se move sem se fragmentar muito ao longo do tempo e da distância.

Os dados do SWOT, entretanto, mostraram algo diferente. Em vez de uma única crista uniforme atravessando o oceano, o tsunami exibiu um padrão complexo, com uma onda principal imponente seguida por uma série de ondas secundárias menores, espalhando-se e interagindo entre si.

O comportamento sugere efeitos de dispersão, próprios de ondas que se quebram em componentes de diferentes comprimentos enquanto viajam.

Isso significa que a onda não se comportou como um “bloco estável” de água, mas como um conjunto de frentes de onda com dinâmicas variadas, algo que os cientistas não esperavam observar com tanta clareza em um tsunami de grande escala.

Esses padrões só foram visíveis por causa da capacidade única do SWOT de registrar a elevação do oceano em detalhes muito maiores do que os métodos tradicionais de observação.

Boias ajudaram na medição
Para entender melhor o evento, os pesquisadores não se basearam apenas nas imagens do espaço: eles também integraram medições de boias oceanográficas chamadas DART (Deep-ocean Assessment and Reporting of Tsunamis).

Essas boias estão espalhadas pelo oceano Pacífico e medem a pressão da coluna de água para detectar a passagem de tsunamis em tempo real. Ao comparar os registros das boias com os dados do satélite, os cientistas perceberam que os modelos tradicionais subestimavam a complexidade do tsunami.

Em particular, a análise sugeriu que a ruptura do terremoto sob o fundo do mar se estendeu por aproximadamente 400 km, mais do que alguns modelos prévios estimavam (300 km). Isso afetou a forma como o tsunami se formou e se propagou, e ajuda a explicar as variações observadas.

Essas descobertas têm um impacto importante para a ciência dos tsunamis e para a forma como monitoramos e prevemos esses eventos perigosos. Se grandes tsunamis podem exibir dispersão e padrões mais complexos do que supunha a teoria padrão, então modelos de previsão e sistemas de alerta precisam incorporar esses comportamentos para melhorar sua precisão.

Até agora, os sistemas de alerta dependem principalmente de redes de boias e sensores costeiros — úteis, mas limitados ao que acontece muito depois que a onda já começou a se aproximar da costa.

A capacidade de observar um tsunami em grande parte do oceano, com alta resolução, pode um dia permitir ajustes em tempo real aos modelos e avisos mais precisos às comunidades que estão em risco.

 

 

METRÓPOLES*

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