Dor, queimação, náuseas, indigestão e desconforto abdominal. Esses sintomas fazem parte da realidade de milhões de brasileiros que convivem com a gastrite, inflamação da mucosa do estômago que pode ter diferentes causas e níveis de gravidade. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), cerca de sete em cada 10 brasileiros sofrem com algum tipo da doença.
Por ser tão comum, é frequente que muitas pessoas — inclusive aquelas sem diagnóstico confirmado — recorram a antiácidos ou protetores gástricos para aliviar os sintomas. Enquanto os antiácidos neutralizam o excesso de ácido no estômago, os protetores gástricos reduzem sua produção ou ajudam a proteger a mucosa do órgão, diminuindo a irritação.
Embora possam ser adquiridos sem prescrição, esses medicamentos devem ser utilizados com cautela. O farmacêutico Alessandro Braga, da rede Santo Remédio, explica que eles podem aliviar sintomas ocasionais, mas não devem substituir a avaliação médica quando o desconforto se torna frequente.
“O risco de se automedicar com frequência é o paciente tomar o remédio, a dor passar e ele acreditar que o problema está resolvido. Mas a gastrite pode ter causas variadas, desde o uso de anti-inflamatórios até a presença da bactéria H. pylori, e cada caso exige uma conduta diferente, que depende de avaliação médica”, afirma.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante do hábito de automedicação no país. Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou que nove em cada dez brasileiros utilizam medicamentos sem prescrição. Segundo o levantamento de 2024, a prática é mais comum para sintomas como dores de cabeça, gripes, resfriados, febres e dores musculares. No entanto, também ocorre diante de queixas gastrointestinais, o que pode atrasar o diagnóstico correto de doenças que exigem acompanhamento especializado.
Outro ponto de atenção é o uso contínuo de medicamentos como os inibidores da bomba de prótons, frequentemente indicados para reduzir a acidez estomacal. “Esses remédios são eficazes, mas o uso prolongado e sem necessidade pode interferir na absorção de nutrientes e até mascarar problemas mais sérios”, destaca Alessandro Braga.
*Sinais de alerta*
Alguns sintomas não devem ser ignorados nem tratados apenas com medicamentos de venda livre. Dor persistente, perda de peso sem explicação, vômitos com sangue, fezes escuras e dificuldade para engolir são sinais que exigem investigação médica.
“Se esses sintomas aparecerem, a orientação é procurar um médico imediatamente. Eles podem indicar quadros mais graves, que vão muito além de uma gastrite comum”, alerta o farmacêutico.
Ele reforça que o uso de qualquer medicamento para gastrite, mesmo os de venda livre, deve ser acompanhado de orientação profissional.
“Na farmácia, podemos orientar sobre o uso correto dos medicamentos e os riscos de interações medicamentosas. Mas o ideal é sempre buscar avaliação médica quando os sintomas persistem, retornam com frequência ou se agravam”, acrescenta.
A boa notícia é que a gastrite também pode ser prevenida por meio de mudanças de hábitos. Entre as principais recomendações estão evitar o consumo excessivo de álcool, cafeína e alimentos muito gordurosos ou condimentados, não fumar, reduzir o estresse, manter horários regulares para as refeições e evitar longos períodos de jejum.
Além disso, é importante utilizar medicamentos como anti-inflamatórios apenas com orientação profissional e procurar acompanhamento médico ao perceber sintomas recorrentes. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado continuam sendo as formas mais seguras de evitar complicações e preservar a saúde digestiva.
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