O setor da construção civil no Amazonas vive um cenário de instabilidade trabalhista. Após o encerramento frustrado das negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027, os operários decidiram iniciar um movimento grevista na capital nesta quinta-feira (16/7).
A categoria, que reivindica um reajuste salarial de 10% na data-base, rejeitou a proposta do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM), que concedeu um reajuste de apenas 6% retroativo a 1º de junho de 2026.
Além da insatisfação com o índice salarial, os trabalhadores denunciam tentativas do setor patronal de retirar conquistas históricas, como condicionar a concessão de cestas básicas à assiduidade total e reduzir o número de operários elegíveis ao benefício.
Os representantes dos trabalhadores, por meio do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Manaus e do Amazonas (Sintracomec-AM), vêm realizando assembleias diretamente nos canteiros de obras. A liderança sindical afirma que, enquanto o faturamento do setor patronal registrou um crescimento expressivo de 41% no período recente, a contraproposta patronal representa um retrocesso.
O diretor do sindicato, Carles Waldemar, informou que a decisão de iniciar a greve ocorreu porque a categoria não recebeu convocação para uma nova reunião de negociação nem uma proposta considerada adequada.
“Iniciamos hoje o nosso movimento grevista. A decisão foi tomada diante da ausência de uma convocação por parte da empresa para uma reunião de negociação, bem como da apresentação de uma contraproposta condizente com as nossas necessidades”, afirmou.
Segundo o dirigente, a proposta patronal prevê reajuste de 6% dividido em duas parcelas, além de condicionar o recebimento da cesta básica à assiduidade integral, excluindo trabalhadores afastados por atestados médicos, reduzir o número de beneficiários e não conceder plano de saúde nem assistência odontológica.
“A proposta atual não apenas deixa de oferecer melhorias, como retrocede na conquista de direitos fundamentais”, declarou. Entre as principais reivindicações estão um reajuste salarial de 10% na data-base, a garantia de cesta básica para todos os trabalhadores das empresas, a manutenção dos direitos previstos na convenção coletiva, além da implantação de plano de saúde e auxílio odontológico.