O volume de armas e munições retirado de circulação no Amazonas em 2026 revela a dimensão do arsenal utilizado por organizações criminosas no Estado. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam 965 armas de fogo e 24.979 munições apreendidas até julho.
A SSP-AM afirma que as apreensões são resultado do reforço do efetivo, com novos delegados, investigadores e escrivães, além do uso de ferramentas de inteligência. “Essa modernização tem contribuído para uma atuação mais integrada com outras forças policiais e um aumento na capacidade de resposta a crimes complexos”, informou a secretaria.
O perfil das apreensões recentes, porém, chama atenção pelo poder de fogo dos armamentos encontrados. Em operações no estado já foram localizados fuzis AK-47 calibre 7,62 milímetros, fuzis 5.56, metralhadoras M60 calibre 7,62, armas calibre 12, pistolas e revólveres, além de milhares de munições. Ao todo, nos últimos três anos, as forças de segurança do Amazonas já apreenderam 5.199 armas de fogo.
Controle de territórios
Para o delegado Aldiney Nogueira, o uso de fuzis amplia a capacidade das organizações criminosas de controlar territórios e enfrentar forças de segurança. “Fuzis têm como característica o disparo com muita energia, que pode atingir o alvo com precisão a mais de 500m de distância, muito mais perigoso. Esse cenário faz com que nós, enquanto polícia, tenhamos maior preparo e aparato bélico para superar a criminalidade e acessar determinadas áreas dominadas pelo tráfico”, explicou.
A origem de parte desse armamento também é um dos pontos investigados. Entre as armas apreendidas em Manaus neste ano estão modelos de fabricação estrangeira, com registros de procedência da Bélgica e Estados Unidos. Há ainda armamentos cuja documentação de apreensão não identifica fabricante ou origem.
“A produção ilegal envolve a entrada de peças separadas para posterior montagem. Lá essas peças são vendidas com pouco controle, como kits para você montar seu próprio fuzil, etc”, disse Aldiney Nogueira, ao explicar uma das formas de fabricação clandestina.
O especialista em segurança pública Alisson Carvalho afirma que o Amazonas integra uma rota utilizada para o transporte de armas destinadas ao crime organizado. “Nosso estado é fronteiriço com países historicamente ligados ao tráfico de drogas e de armas de fogo, sendo porta de entrada para alimentar o crime organizado do eixo Sul/Sudeste do Brasil e a Tríplice Fronteira do Sul brasileiro”, explica.