Motoristas de Manaus voltaram a encontrar a gasolina mais cara nesta terça-feira (14). Em diversos postos da capital, o litro passou de R$ 6,99 para R$ 7,29, um aumento de R$ 0,30 de uma só vez.
Apesar da alta, a elevação não ocorreu de forma uniforme. Durante levantamento realizado em diferentes regiões da cidade, foi constatado que alguns estabelecimentos continuam comercializando o combustível pelo valor anterior.
A Refinaria da Amazônia aumentou o preço?
Não.
A Refinaria da Amazônia (Ream) informou que não realizou reajuste no preço da gasolina fornecida às distribuidoras e postos de combustíveis.
Com isso, o aumento observado em parte da rede de revenda não teria origem na refinaria, informação que passou a ser um dos principais pontos analisados pelos órgãos de fiscalização.
O que dizem os consumidores?
A alta voltou a gerar reclamações entre motoristas da capital.
A gerente de vendas Vanessa Tolentino afirma que os aumentos repentinos já se tornaram frequentes em Manaus.
“Hoje, alguns postos estão praticando R$ 6,99, outros R$ 7,29. Como consumidor, a gente se sente lesado.”
Segundo ela, a diferença de preços obriga os consumidores a pesquisar onde abastecer, sem que exista uma explicação clara para a mudança.
Os postos explicaram o aumento?
Nos estabelecimentos visitados pela reportagem, os gerentes informaram que não tinham autorização para comentar os preços praticados.
Em um dos postos, um funcionário, sob condição de anonimato, afirmou que o reajuste estaria relacionado ao aumento das cotações internacionais do petróleo após a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Segundo ele, os postos que ainda vendem a gasolina por R$ 6,99 estariam comercializando estoques adquiridos antes da alta.
O que o Governo Federal fez para conter novos aumentos?
Enquanto o mercado internacional registra alta no preço do petróleo, o Governo Federal anunciou medidas para reduzir os impactos sobre o consumidor brasileiro.
Entre elas estão:
Adiamento do fim do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina;
Aprovação do aumento temporário da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, por até 180 dias.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida reduzirá a necessidade de importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, diminuindo a dependência do mercado internacional.
O Procon-AM vai investigar?
Sim.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM) informou que iniciou uma apuração para identificar os fatores que motivaram o aumento dos preços em Manaus.
Segundo o órgão, a Ream é uma empresa privada desde 2022 e possui política comercial própria, sem vinculação aos preços praticados pela Petrobras.
O Procon informou que solicitará informações aos agentes envolvidos para verificar se houve irregularidades e avaliar a adoção de medidas cabíveis.
O que a ANP informou?
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também confirmou que intensificou a fiscalização nos postos de combustíveis da capital.
Os fiscais estão:
Coletando notas fiscais de compra dos combustíveis;
Analisando cupons fiscais de venda;
Verificando se houve elevação abusiva dos preços.
As análises seguem os critérios estabelecidos pela Resolução ANP nº 1.005/2026.
Caso sejam constatadas irregularidades, os postos poderão sofrer:
Autuação administrativa;
Aplicação de multas entre R$ 50 mil e R$ 500 milhões, conforme a gravidade da infração;
Encaminhamento do caso ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), quando houver indícios de infração à ordem econômica.
O conflito no Oriente Médio influencia o preço?
Sim, mas especialistas apontam que esse não é o único fator.
Nesta terça-feira (14), o petróleo Brent atingiu o maior patamar das últimas quatro semanas, impulsionado pela retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.
A valorização da commodity pressiona os mercados internacionais, mas as autoridades brasileiras afirmam que medidas vêm sendo adotadas para reduzir seus reflexos sobre o consumidor.
Contexto regional
O aumento da gasolina voltou a provocar questionamentos em Manaus devido à ausência de reajuste anunciado pela Refinaria da Amazônia. A diferença de preços entre postos da mesma cidade reforçou a atuação do Procon-AM e da ANP, que agora investigam se houve prática de elevação abusiva dos valores cobrados ao consumidor.
Fonte: AM POST