Áreas inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) concentraram 63% dos focos de calor detectados no Amazonas entre 20 de setembro e 19 de outubro. Dos 3.263 registros contabilizados no estado, 2.043 estavam dentro de imóveis rurais cadastrados.
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foram reunidos em uma plataforma desenvolvida pela NEX – Hub de Análises Estratégicas. A ferramenta cruza informações públicas oficiais e recebe atualizações automáticas diariamente.
A localização dos focos em áreas cadastradas pode auxiliar as fiscalizações, mas não comprova que o responsável pelo cadastro tenha provocado o fogo. Cada ocorrência precisa ser investigada individualmente.
Cadastro pode auxiliar nas investigações
O CAR é um registro eletrônico obrigatório para imóveis rurais. A ferramenta reúne informações ambientais das propriedades e posses, como limites da área, vegetação nativa, áreas de preservação permanente e reservas legais.
A versão pública do sistema não apresenta o nome nem o CPF da pessoa que declarou ocupar o imóvel. Os órgãos ambientais e de investigação, entretanto, podem acessar os dados protegidos para identificar os cadastrantes e solicitar esclarecimentos.
A presença de um foco dentro dos limites declarados não significa automaticamente que o proprietário, posseiro ou responsável pelo cadastro tenha iniciado o incêndio.
O fogo pode ter começado em outra área e avançado com o vento ou ter sido provocado por terceiros. A responsabilização exige fiscalização, perícia e outros elementos que comprovem a autoria e as circunstâncias da ocorrência.
Áreas sem cadastro somam 932 focos
Além dos registros localizados em imóveis rurais inscritos no CAR, a plataforma identificou 932 focos de calor em áreas sem cadastro, equivalentes a aproximadamente 29% do total.
Outros 161 focos ocorreram em terras indígenas, enquanto 127 foram detectados em unidades de conservação.
Os percentuais divulgados são arredondados e, por isso, podem somar mais de 100%. Os números absolutos, entretanto, correspondem aos 3.263 focos contabilizados no levantamento.
Municípios concentram registros em áreas rurais
Entre os municípios com focos detectados dentro de áreas cadastradas no CAR, Boca do Acre apresentou 82 ocorrências.
Na sequência aparecem Apuí, com 49 registros; Manacapuru, com 47; Nova Olinda do Norte, com 44; e Novo Aripuanã, com 35.
Considerando todas as categorias territoriais analisadas, os municípios mais afetados no período foram Lábrea, Boca do Acre e Novo Aripuanã, localizados no sul do estado.
Foco de calor não confirma incêndio criminoso
Os focos de calor são anomalias térmicas identificadas por satélites. Os dados ajudam a localizar áreas onde pode existir fogo ou outra fonte intensa de calor, mas não determinam sozinhos a extensão da área queimada, a causa ou a autoria.
O mesmo incêndio também pode produzir mais de um foco durante a passagem dos satélites. Por isso, os registros são utilizados como ponto de partida para o monitoramento e para o direcionamento das equipes de fiscalização.
A plataforma pode ajudar os órgãos a priorizar áreas diante da dimensão territorial do Amazonas e das dificuldades de acesso a determinadas regiões.
Fumaça afeta municípios amazonenses
A plataforma indicava 26 eventos de fogo ativos monitorados pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) na terça-feira (20).
Segundo a NEX, 15 municípios apresentavam qualidade do ar classificada como ruim ou pior. Careiro e Manaquiri estavam na categoria péssima, situação que representa risco para toda a população, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Nas últimas semanas, a fumaça provocada pelas queimadas levou à suspensão de atividades educacionais e mobilizou equipes estaduais e federais no combate aos incêndios.
Fonte: AM POST