ISRAEL IGNORA APELO DE TRUMP E BOMBARDEIA ALVOS MILITARES NO IRÃ APÓS TENSÃO REGIONAL

Israel executou ataques contra alvos militares no Irã na madrugada desta segunda-feira (8), horário local, intensificando a tensão no Oriente Médio. A ofensiva, que ocorreu apesar dos esforços diplomáticos do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para evitar uma escalada, marca um novo capítulo de hostilidade na região.

O que aconteceu

  • Israel atacou bases militares no Irã na madrugada do dia 8, gerando escalada de tensão no Oriente Médio.
  • A ação israelense ignorou apelos diplomáticos dos EUA e do então presidente Donald Trump.
  • Em retaliação, o Irã considerou bases americanas na região como “alvos legítimos”, elevando o alerta de segurança.

Segundo informações divulgadas pelo site Axios, explosões foram registradas em Teerã, Tabriz e Isfahan. Em comunicado publicado nas redes sociais, as Forças de Defesa de Israel afirmaram ter atingido instalações militares ligadas ao governo iraniano no oeste e no centro do país. “A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã”, informou o Exército israelense.

A ofensiva ocorre em meio ao agravamento das tensões envolvendo Israel, Irã e o grupo Hezbollah. Na semana anterior, Trump havia articulado um cessar-fogo entre Israel e a organização libanesa, mas o acordo foi abalado após bombardeios israelenses contra áreas de Beirute.

Em resposta aos ataques no Líbano, o Irã lançou uma série de mísseis contra Israel no domingo anterior. Não houve registro de vítimas, e imagens divulgadas nas redes sociais mostraram a atuação do sistema de defesa aérea Domo de Ferro interceptando os projéteis. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que os disparos tiveram como alvo uma base militar israelense.

Diplomacia falha: por que Trump não conseguiu conter a escalada?

Diante da ameaça de um novo confronto, Trump conversou por telefone com o então primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para tentar impedir uma retaliação militar contra Teerã. Em entrevista ao jornal Financial Times, o presidente americano declarou que Netanyahu não teria alternativa a não ser aceitar o acordo de paz que vinha sendo negociado entre Washington e Teerã.

Mais cedo, em declaração ao Axios, Trump havia afirmado que não queria comprometer as negociações diplomáticas. “Estamos próximos de um acordo final com o Irã. Não quero estragar tudo por causa do que está acontecendo agora”, disse ele.

Apesar do apelo da Casa Branca, Netanyahu já havia indicado que responderia aos ataques iranianos, promessa concretizada com a ofensiva daquela segunda-feira. A nova escalada também elevou o nível de alerta para instalações americanas na região.

Consequências regionais: bases dos EUA sob ameaça

Após os bombardeios israelenses, autoridades iranianas passaram a considerar as 19 bases militares mantidas pelos Estados Unidos no Oriente Médio como “alvos legítimos”. As instalações americanas estão distribuídas por países como Emirados Árabes Unidos, Omã, Arábia Saudita, Iraque e Egito. Segundo o governo iraniano, ativos israelenses na região também poderão ser atingidos.

Em meio à deterioração do cenário de segurança, o Iraque anunciou o fechamento de seu espaço aéreo e a suspensão dos serviços de navegação por 72 horas. O Irã adotou medida semelhante e também interrompeu temporariamente o tráfego aéreo em seu território.

A declaração mais dura veio de Mohammad Qalibaf, principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, ele acusou Israel de desrespeitar acordos e afirmou que o país demonstra compreender apenas a força militar.

A sequência de ataques e contra-ataques aumenta as incertezas sobre a continuidade das negociações entre Washington e Teerã e aprofunda a instabilidade em uma das regiões mais sensíveis do planeta.

*IstoÉ

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