O aumento de 244% nos focos de calor no Amazonas levou o Ministério Público de Contas (MPC-AM) a apresentar uma representação contra o Governo do Estado no Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM). O órgão quer que a Corte investigue se as medidas adotadas pelo Executivo para combater as queimadas e reduzir os impactos da fumaça são suficientes diante do agravamento da situação ambiental.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentados pelo MPC-AM, o Amazonas registrou 3.240 focos de calor entre os dias 1º e 22 de setembro deste ano. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 942 registros, o que representa um crescimento de aproximadamente 244%.
A situação se agravou no dia 22 de setembro, quando foram identificados 520 focos de calor em apenas 24 horas, número quase nove vezes superior ao registrado na mesma data do ano passado.
A representação foi apresentada na última quarta-feira (7), após o MPC-AM considerar que ainda não há comprovação satisfatória de que as ações do governo sejam proporcionais à gravidade do problema. O órgão reconhece que medidas de combate aos incêndios foram anunciadas, mas cobra resultados concretos e informações sobre o planejamento, a estrutura e os recursos utilizados.
Entre os pontos questionados estão a quantidade de profissionais disponíveis, a estrutura logística das operações, a distribuição das equipes nas áreas mais afetadas e a eficiência dos gastos públicos destinados ao enfrentamento das queimadas.
O avanço dos incêndios também tem provocado episódios recorrentes de fumaça em Manaus e em outros municípios amazonenses. A representação reúne informações de sistemas de monitoramento da qualidade do ar que apontam concentrações elevadas de partículas finas, capazes de atingir o sistema respiratório e representar riscos à saúde da população.