O Rio Negro chegou à cota de 21,44 metros em Manaus nesta quinta-feira (17), conforme a medição oficial do Porto de Manaus. O nível representa uma redução de 2,65 metros em relação aos 24,09 metros registrados em 1º de setembro.
Somente nesta quinta-feira, o rio baixou 18 centímetros. A descida acumulada desde o início da vazante chegou a 7,07 metros, considerando a cota máxima de 28,51 metros alcançada em 2026.
A primeira quinzena de setembro costuma ser observada com atenção por ajudar a indicar a intensidade da vazante. Embora o ritmo tenha aumentado na capital, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) informa que a maioria dos pontos monitorados na Amazônia continua dentro da faixa esperada para esta época do ano.
Rio baixou 1,40 metro em oito dias
Em 9 de setembro, uma quarta-feira, o Rio Negro estava em 22,84 metros. O dado mostra que, em oito dias, a cota diminuiu mais 1,40 metro.
Na ocasião, o rio já havia recuado 1,25 metro nos nove primeiros dias do mês. A intensificação da descida é característica do período de vazante, que ocorre no segundo semestre, mas exige acompanhamento por causa dos impactos provocados pelas cotas mais baixas.
Em secas severas recentes, como as de 2023 e 2024, o recuo registrado durante setembro foi ainda mais intenso. A evolução das próximas semanas será determinante para avaliar até onde o nível poderá baixar neste ano.
A medição diária pode ser consultada no Porto de Manaus.
Vazante avança nas principais bacias
O 37º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado pelo SGB, aponta que o processo de vazante predomina em grande parte da região.
Na bacia do Solimões, a estação de Tabatinga registrou 2,38 metros. Em Manacapuru, o nível ficou em 12,52 metros, enquanto Itapéua, no município de Coari, marcou 9,15 metros.
Na bacia do Purus, a estação de Beruri apresentou cota de 13,25 metros. No rio Acre, em Rio Branco, o nível observado foi de 2,25 metros.
O rio Madeira também segue baixando. Porto Velho registrou 3,41 metros, apesar de uma pequena recuperação diária, enquanto Humaitá chegou a 11,13 metros.
No rio Amazonas, foram registrados 8,06 metros em Itacoatiara, 3,64 metros em Parintins, 3,85 metros em Óbidos e 3,51 metros em Almeirim.
Na bacia do Tapajós, Santarém marcou 3,84 metros e Itaituba, 3,44 metros. Segundo o SGB, essas cotas permanecem dentro do comportamento esperado para o período.
Rio Branco concentra maior preocupação
A situação mais crítica ocorre na bacia do rio Branco, em Roraima. Os níveis estão abaixo da média e das mínimas históricas para esta época do ano, reflexo do baixo volume de chuvas observado em julho e agosto.
Em Boa Vista, o rio chegou a 0,93 metro. Em Caracaraí, a cota registrada foi de 1,47 metro.
De acordo com as projeções de longo prazo, essa bacia provavelmente será a mais afetada pela escassez de chuvas nos próximos meses.
Queda pode afetar navegação e abastecimento
O avanço da vazante pode ampliar dificuldades para o transporte fluvial, o abastecimento de comunidades, a pesca e outras atividades econômicas dependentes dos rios.
Os técnicos alertam que, caso as chuvas previstas entre setembro e novembro não se confirmem, a vazante poderá se prolongar nas calhas dos rios Amazonas, Solimões, Negro e Tapajós.
As previsões são produzidas com modelos hidrológicos e meteorológicos e estão sujeitas a alterações. As cotas também podem ser corrigidas após verificações presenciais, manutenção das estações e nivelamento das réguas.
Os dados atualizados e os mapas de risco estão disponíveis no Sistema de Alerta de Eventos Críticos do SGB.
Fonte: AM POST