RIO NEGRO CAI PARA 24,93 METROS E SECA AMEAÇA DEIXAR TRANSPORTE DE CARGAS MAIS CARO PARA MANAUS

A vazante do Rio Negro começa a colocar pressão sobre a logística de Manaus. O nível do rio chegou a 24,93 metros em 26 de agosto e continua em queda, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Com a aproximação dos meses mais secos, o temor é de que a redução do nível das águas dificulte a navegação e aumente o custo para transportar mercadorias até a capital amazonense.

O problema vai além da navegação. Como boa parte dos produtos que abastecem Manaus chega pelo transporte fluvial, uma redução mais severa dos rios pode afetar diretamente a circulação de alimentos, combustíveis, medicamentos e insumos.

Empresas já anunciaram cobrança extra
Mesmo antes de o Rio Negro atingir o nível de referência para a chamada “taxa da seca”, duas grandes empresas de navegação anunciaram uma cobrança adicional para cargas destinadas a Manaus.

MSC e CMA CGM informaram sobretaxa de até US$ 1,9 mil por contêiner, o equivalente a cerca de R$ 9,8 mil. A previsão é que a cobrança comece na primeira semana de setembro.

O argumento é o aumento dos custos provocado pelas condições mais difíceis de navegação durante a vazante.

Comércio questiona valor antes do nível crítico
A antecipação da cobrança provocou reação no Amazonas. A Associação Comercial do Amazonas acionou a Antaqpara questionar o procedimento adotado pelas empresas.

Um dos argumentos é que o Rio Negro ainda não chegou aos 17,7 metros, nível apontado como referência para a aplicação da taxa relacionada à seca.

Atualmente, a diferença entre a marca registrada em 26 de agosto e esse patamar é de 7,23 metros.

Período mais seco preocupa
O cenário pode ganhar maior gravidade nos próximos meses. Historicamente, a estiagem na Amazônia tende a se intensificar entre setembro e novembro, período em que os rios podem apresentar quedas mais acentuadas.

No Amazonas, 62 municípios estão em situação de emergência por causa da seca. A redução dos rios já interfere na rotina de comunidades ribeirinhas e na circulação de embarcações.

Para Manaus, a preocupação central é evitar que uma vazante mais intensa provoque uma reação em cadeia: dificuldade de navegação, aumento do frete, encarecimento dos produtos e pressão sobre o abastecimento da capital.

O SGB continuará monitorando os níveis dos rios amazônicos e deve divulgar novos boletins ao longo das próximas semanas.

Fonte: AM POST

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