ALAVANCAGEM PATRIMONIAL: O MÉTODO QUE EU GOSTARIA DE TER CONHECIDO HÁ 17 ANOS

O que teria acontecido se eu tivesse conhecido esse método há 17 anos?

Quando iniciei minha carreira no Ministério Público, há cerca de 17 anos, eu tinha uma formação jurídica sólida, estabilidade financeira e uma renda que permitia construir patrimônio de forma consistente.

Mas havia uma informação que eu simplesmente não possuía.

Eu não conhecia as estratégias de alavancagem patrimonial por meio de recursos financeiros de terceiros.

Hoje, olhando para trás, reconheço que, se tivesse compreendido naquela época o funcionamento de tais ferramentas, minha trajetória patrimonial teria sido significativamente diferente.

Essa reflexão não é um convite à compra de consórcios.

É um convite ao conhecimento.

Porque existe uma diferença enorme entre simplesmente ganhar bem e utilizar estratégias financeiras estruturadas para acelerar a construção de patrimônio ao longo dos anos.

É justamente sobre isso que vamos falar.

 

O que é alavancagem patrimonial?

Alavancagem patrimonial é a utilização inteligente de instrumentos financeiros para acelerar a formação de patrimônio sem depender exclusivamente da poupança tradicional.

Em outras palavras:

Em vez de esperar décadas para acumular recursos suficientes para adquirir ativos relevantes, a pessoa utiliza mecanismos financeiros legítimos para antecipar aquisições e potencializar o crescimento patrimonial.

Existem diversas formas de alavancagem patrimonial.

Entre elas:

  • financiamento imobiliário;
  • investimentos;
  • crédito estruturado;
  • consórcios.

Cada ferramenta possui características próprias, vantagens, riscos e perfis de utilização.

 

Por que tantas pessoas de média e alta rendas ignoram esse tema?

Médicos, advogados, dentistas, engenheiros, empresários, servidores públicos e outros profissionais de média e alta rendas frequentemente concentram seus esforços em aumentar ganhos profissionais.

Isso é importante.

Mas existe um aspecto que muitas vezes recebe menos atenção: a estrutura utilizada para transformar renda em patrimônio.

É comum encontrar profissionais que ganham R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 30 mil ou até R$ 50 mil por mês e que, mesmo após muitos anos de trabalho, construíram menos patrimônio do que poderiam ter construído.

O motivo nem sempre está relacionado ao valor da renda.

Muitas vezes está relacionado ao método utilizado.

 

Como o consórcio pode participar de uma estratégia patrimonial?

O consórcio é uma modalidade regulamentada no Brasil e fiscalizada pelo Banco Central.

Seu funcionamento é relativamente simples:

Um grupo de pessoas contribui mensalmente para a formação de um fundo comum.

Periodicamente, participantes são contemplados e recebem crédito para aquisição do bem previsto em contrato.

O aspecto interessante surge quando o consórcio deixa de ser visto apenas como um produto e passa a ser analisado como uma ferramenta dentro de uma estratégia patrimonial mais ampla.

Em determinados perfis, ele pode ser utilizado para:

  • aquisição de imóveis;
  • expansão patrimonial gradual;
  • diversificação de ativos;
  • planejamento de médio e longo prazo;
  • formação de patrimônio imobiliário, com a formação de renda passiva.

Naturalmente, cada caso exige análise individual.

Não existe estratégia universal.

 

O erro mais comum de quem possui renda elevada

O erro mais frequente não costuma ser a falta de dinheiro.

É a ausência de planejamento.

Muitos profissionais concentram toda sua energia na geração de renda.

Poucos dedicam o mesmo nível de atenção à engenharia patrimonial.

O resultado é que anos passam rapidamente.

A renda cresce.

Mas o patrimônio não cresce na mesma proporção.

Quando isso acontece, o profissional percebe que trabalhou muito mais para gerar renda do que para construir ativos.

 

Quais cuidados devem ser adotados?

Antes de aderir a qualquer estratégia envolvendo consórcios ou outras ferramentas de alavancagem patrimonial com recursos de terceiros, alguns cuidados são fundamentais:

Avalie sua capacidade financeira

O compromisso mensal deve ser compatível com sua realidade financeira.

Entenda os prazos

Consórcio é uma ferramenta que normalmente exige visão de médio e longo prazo.

Analise os custos

Taxa de administração e demais encargos devem ser compreendidos integralmente.

Leia o contrato

Todas as regras de contemplação, utilização do crédito e obrigações do participante devem ser conhecidas previamente.

Evite decisões emocionais

Toda decisão patrimonial relevante deve ser tomada com planejamento e análise.

 

O que a experiência me ensinou

Após mais de 30 anos de atuação jurídica e mais de 16 anos como Promotor de Justiça, tive contato com inúmeras histórias relacionadas à vida financeira das pessoas.

Uma das conclusões que mais me chamou atenção ao longo dos anos foi esta: conhecimento financeiro adequado pode produzir efeitos tão relevantes quanto o aumento da renda.

Por isso, quando conheci profundamente as estratégias de construção patrimonial utilizando o consórcio e outras ferramentas, não consegui evitar uma reflexão pessoal.

Gostaria de ter conhecido esse método há 17 anos.

Não porque exista fórmula mágica.

Não existe.

Mas porque decisões corretas tomadas de forma consistente durante muitos anos costumam produzir resultados acumulativos extremamente relevantes.

 

Alavancagem patrimonial com recursos de terceiros não é sobre velocidade. É sobre estratégia e o consórcio cumpre bem o seu papel.

Existe uma crença comum de que patrimônio é construído apenas pelo aumento da renda.

Na prática, patrimônio costuma ser resultado da combinação entre:

  • renda;
  • disciplina;
  • tempo;
  • método;
  • estratégia.

Quem compreende essa lógica passa a enxergar o dinheiro de forma diferente.

Passa a pensar menos em consumo imediato e mais em construção patrimonial de longo prazo.

 

Conclusão

A alavancagem patrimonial com recursos de terceiros, utilizando-se da ferramenta nominada de consórcio, é um tema que merece ser estudado por profissionais de média e alta rendas que desejam compreender formas estruturadas de construir patrimônio ao longo dos anos.

Não se trata de solução milagrosa.

Não se trata de promessa de enriquecimento.

Trata-se de entender uma ferramenta financeira amplamente utilizada no mercado brasileiro e avaliar, de forma responsável, se ela faz sentido para sua realidade.

Quanto mais cedo uma pessoa conhece boas estratégias financeiras, maiores tendem a ser suas possibilidades de tomar decisões patrimoniais conscientes ao longo da vida.

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Por Roberto Nogueira, Promotor de Justiça aposentado, com mais de 30 anos de experiência jurídica e especialista em Direito Bancário e Direito do Consumidor.

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