O governo federal prepara o lançamento do Desenrola 2.0 com mudanças relevantes nas regras para renegociação de dívidas. Entre as principais medidas em estudo está a liberação do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas apenas para trabalhadores que conseguirem quitar integralmente os débitos, informaram fontes a par do assunto.
A proposta em discussão prevê que o saque do FGTS não poderá ser usado para abatimentos parciais. Ou seja, o recurso só será liberado quando for suficiente para liquidar toda a dívida do beneficiário, evitando que o trabalhador utilize o fundo e continue inadimplente.
Além da exigência de quitação total, o governo também estuda impor um teto para o uso dos recursos. A ideia é permitir o saque de até 20% do saldo disponível no FGTS.
O programa deve ser direcionado a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, cerca de R$ 8 mil mensais, mantendo o foco nas faixas mais afetadas pelo endividamento.
Desenrola 2.0
O Desenrola 2.0 é tratado como prioridade pelo governo e deve incluir mecanismos para evitar que os beneficiários voltem a se endividar após renegociar os débitos. Entre as possibilidades, estão restrições ao acesso a linhas de crédito consideradas mais caras, como rotativo do cartão e cheque especial.
Também está em análise a exigência de contrapartidas, como compromissos de educação financeira ou limitações na contratação de novos empréstimos.
Assim como na primeira fase do programa, a expectativa é de que bancos e credores ofereçam descontos elevados, que podem chegar a até 90% do valor das dívidas.
O novo desenho surge em um cenário de alto endividamento das famílias brasileiras, que já atinge cerca de 49% dos lares, com uma parcela significativa em situação de inadimplência, segundo informações do Banco Central (BC).
A avaliação é que, ao permitir o uso controlado do FGTS e impor regras mais rígidas, o Desenrola 2.0 pode aliviar o orçamento das famílias no curto prazo, ao mesmo tempo em que tenta evitar a reincidência no ciclo de dívidas.
Metrópoles*