RESULTADOS DE AMISTOSOS FORTALECEM NARRATIVA DE ANCELOTTI, QUE PREVÊ COPA MARCADA POR CONFRONTOS FÍSICOS

O empate em 1 a 1 entre Espanha e Iraque, e a derrota por 2 a 1 da França para a Costa do Marfim, ainda que se desconte aspectos e contextos da cada amistoso, não expressam o que foram os jogos em si. Espanhóis e franceses, mesmo desfalcados, tiveram o controle de seus respectivos confrontos e a supremacia nos números. Mas não venceram. E, desta forma, ajudam Carlo Ancelotti a preparar mentalmente a seleção brasileira. Na noite de quarta-feira, a goleada de 4 a 0 da seleção do Haiti sobre a da Nova Zelândia já havia caído como luva na ideia do treinador. Como os haitianos estão no grupo do Brasil, ao lado de marroquinos e escoceses, o resultado trouxe apreensão aos pessimistas. Mas, na verdade, fortaleceu a narrativa de Ancelotti que prevê uma Copa marcada por confrontos físicos, exigindo do mental das principais forças.

Em entrevista concedida ao ex-jogador e ex-técnico da seleção brasileira Paulo Roberto Falcão, também ex-companheiro dele na Roma, Ancelotti revelou um pouco mais de suas ideias para fazer da seleção um time emocionalmente forte. E me surpreendeu ao dizer que a meta agora é convencer os jogadores de que, apesar do ciclo acidentado, a seleção pode voltar dos EUA com o hexa. “Quando a expectativa é alta, a motivação é maior”, justificou. Tudo bem que soa como clichê. Zagallo e Felipão, fontes de inspiração do italiano, também trabalharam desta forma para os Mundiais de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2014. E nem sempre foram felizes. A seleção chegou a três finais, é verdade, mas não entrou no game com a geração talentosa de 2006 e fracassou na reta final de 2014. E com a inesquecível frase de Parreira, dizendo que o Brasil tinha de assumir o favoritismo.

As informações que chegam do confinamento da seleção, em Nova Jersey, dão conta de que os métodos do técnico têm sido bem absorvidos pelos jogadores. E que o espaço dado nas redes sociais às entrada duras de Casemiro e Gabriel Magalhães nos treinos abertos ao público e à imprensa acabou por fortalecer a ideia de grupo — exatamente como deseja Ancelotti, na construção de um time mentalmente forte. A Falcão ele ressalta que “só se aproveita o talento quando se tem um time sólido e compacto. Os jogadores têm de ser altruístas, humildes, trabalhar forte para colocar a qualidade que cada um tem para o time”. Veremos neste amistoso com Egito se o discurso tem sido bem assimilado.

*Extra

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