O potencial do Amazonas para a exploração de terras raras coloca o estado no centro de um debate que ultrapassa as fronteiras brasileiras e já aparece nos planos de governo dos candidatos à Presidência da República. Considerados fundamentais para setores como tecnologia, energia renovável e segurança nacional, esses minerais são alvo de uma disputa internacional e ganham importância na corrida eleitoral de 2026.
As chamadas terras raras são formadas por um grupo de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de produtos como motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, chips, radares e sistemas militares. Apesar do nome, muitos desses elementos não são necessariamente escassos, mas sua extração, separação e processamento são complexos e exigem tecnologia especializada.
No Amazonas, há potencial mineral em regiões como Presidente Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira e Apuí. Para o professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Thiago Oliveira Neto, essas riquezas têm importância que vai além do retorno econômico.
“O potencial mineral já identificado no Amazonas demonstra, inicialmente, a existência de recursos importantes para cadeias produtivas associadas às indústrias de alta tecnologia, aeroespacial, eletrônica e de transição energética”, afirmou.
Em São Gabriel da Cachoeira, existem reservas de nióbio conhecidas há décadas, com destaque para a região de Seis Lagos. Já em Presidente Figueiredo, a Província Mineral do Pitinga possui atividade mineradora consolidada desde o fim da década de 1970, com exploração de estanho e minerais associados. Em Apuí, pesquisas relacionadas às terras raras avançaram recentemente, com projeto da Brazilian Critical Minerals.
Apesar disso, a identificação de uma reserva não significa que os recursos estejam automaticamente disponíveis para exploração. “Depende de estudos de viabilidade econômica e tecnológica, licenciamento ambiental, condições de infraestrutura, segurança operacional e atendimento à legislação mineral e ambiental”, explica Thiago.