O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou, nesta sexta-feira (29), que o período de enchente no Amazonas está perto do fim. Para o segundo semestre do ano, há 90% de chances de ocorrência de um El Niño considerado forte.
A divulgação faz parte do calendário de compartilhamento de informações da entidade, este foi o 3º Alerta de Cheias do Amazonas 2026. Nele, os pesquisadores identificaram as previsões de média e máxima para a cota do nível do rio em cidades do estado, o nível de confiança é de 80%. A capital é um dos municípios em destaque, atualmente o rio Negro está com 27,8m e os dados indicam que o maior índice pode ser de 28,5m, enquanto que a média fica em 28,2m.
Mesmo abaixo da cota severa, de 29m, e com baixíssimas chances de a atingir, a subida da água na capital já trouxe problemas para inúmeras famílias em bairros como São Jorge, Educandos e outros do centro, como Aparecida. A Defesa Civil do município atua, principalmente, na construção de pontes e prevê que o número final de famílias prejudicadas seja menor do que o ano passado.
“Já foram quase 500m de pontes construídas nessas áreas e a prefeitura de Manaus monitora ela e outras. Ano passado, foram cerca de duas mil famílias e este ano, não chega a mil famílias atingidas” disse o secretário executivo da Defesa Civil de Manaus, Tenente- Coronel Agnelo Lima Júnior.
(Foto: Paulo Bindá)
Para o interior do estado, algumas cidades ganham destaque no monitoramento. Manacapuru está com o nível do rio Solimões em 18,57m e a previsão é que possa chegar a até 19,24m como máxima e a média fica em 18,98m. Já para o município de Itacoatiara, rio Amazonas, que atualmente atingiu 13,52m, a maior previsão é 13,77 e a média 13,63m. No extremo leste do estado, Parintins, que está na cota de 8,10m, pode chegar a 8,25m, mas média é 8,17m.
A Defesa Civil do Amazonas confirmou que, nesta sexta-feira, já não há mais nenhum dos 62 municípios em situação de normalidade. São 24 em atenção, 22 em alerta e 16 em emergência. Até agora, foram 33 mil cestas básicas distribuídas para as cidades mais afetadas.
“Já há indícios de término do processo de enchente, início do processo de vazante. Tabatinga, por exemplo, já está parada há quatro dias. Parintins também parada, há três dias. A preocupação maior agora passa ser a estiagem”, disse o Gerente de Hidrologia do SGB, André dos Santos.
(Foto: Paulo Bindá)
90% de chance de El Niño
Para o segundo semestre do ano, a grande preocupação dos pesquisadores é o fenômeno que dificulta a ocorrência de chuvas. O pesquisador do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Meteorologista, Renato Senna, explicou que a bacia da Amazônia já registrou níveis consecutivos de “deficiência de precipitação”, menos chuvas. Além disso, os centros de pesquisas europeus já destacaram que níveis elevados de temperatura podem ser registrados na Amazônia Oriental. Especialmente no Pará, Amapá e Maranhão.
(Foto: Paulo Bindá)
“O El Niño está muito associado com deficiência de precipitação na Amazônia. Em anos em que ele acontece, sempre vai ter uma área assim. A perspectiva desse ano é ter um forte, com impacto maior”, explicou.
Um fator que preocupa é a cota dos rios no Amazonas. É que os índices, embora altos, podem não ser o suficiente para segurar o forte impacto da soma entre vazante intensa e baixa ocorrência de chuva.